Ser a aprender

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#seraprender

Quando me questionei sobre que nome dar ao meu trabalho, o nome não surgiu logo no imediato. Escutei amigos, familiares e até mesmo estranhos. Li, pesquisei, inspirei-me. No entanto, as coisas não foram assim tão simples como achei que pudessem ser. Culpei a sociedade, a mentalidade das gentes, o tempo em que estive afastada, a idade, a falta de oportunidades, as portas fechadas, e caí na armadilha de ter pena de mim, afinal estava novamente a lutar pela paixão, achava eu. E pouco mais fiz do que fizera até àquele momento. Ancorada a uma série de crenças e/ou valores, receei que não fosse aceite, não fosse ao encontro do que é expectável, temi pelos anos em que me vi afastada do que me apaixonou outrora, dei voz aos medos interiores que escutei tantas e tantas vezes como por exemplo, o não valer a pena, o tempo que já lá ia, e deixei-me efectivamente ser engolida neste circo de feras a que denomino sociedade. Afastei-me do apoio, da ajuda ao próximo. Volvidos dois anos, vi-me novamente debaixo de uma nuvem cinzenta, e quis aproveitar esse momento menos simpático da minha vida para me observar de fora, entrar em mim e olhar realmente o que podia e posso fazer por mim, o que realmente me motivava. A oportunidade de criar esta página que aos poucos toma corpo e reflecte um pouco do que sou, do que acredito e do que quero fazer, surgiu num dia em que me cansei de dar voz aos outros, esperar pelo momento perfeito, e abracei uma máxima que durante muito tempo adiei.

‘Começa onde estás, usa o que tens e faz o que podes’

O Ser a Aprender, surgiu após reflexão sobre o que me motiva, o propósito que quero transmitir. Talvez porque levei anos a perceber que abraçamos crenças que nos chegam desde pequenos e nas quais acreditamos passando estas a serem a nossa verdade, a única que conhecemos, insistimos em vidas que nem sempre são leves, damos mais atenção à voz do outro do que à nossa própria voz, ninguém nos ensinou desde pequeninos a confiar na nossa intuição, ninguém nos ensinou que ter uma inteligência emocional era fundamental para exercer as tarefas a que nos predispomos ou que a nossa chefia nos incute, e quem diz chefia diz professores. Ninguém nos ensinou aquilo que hoje é uma verdade absoluta amanhã pode já não ser, e fomos vestindo frustração atrás de frustração, e subindo escadas e edifícios de saber rumo a uma perfeição que lá no fundo nem achávamos desejar assim tanto. e essas crenças acorrentam, e nem sempre conseguimos despi-las para acarinhar outras e fazer um caminho mais simples.

Nalguns sítios por onde passei, fosse a exercer como técnica na área de formação ou noutro trabalho, sempre me fez confusão a falta de liberdade na criatividade pessoal como contributo ao grupo. A individualidade, a exigência da perfeição, a ofensa alheia, os exemplos que nós adultos transmitimos principalmente na linguagem gestual e comportamental, e inevitavelmente o desgaste, a frustração, o rancor, o medo, principalmente o medo que temos e sentimos de falar, de sermos nós próprios, de sermos diferentes do comum dos mortais. Tudo isto fez-me perceber que a minha maior motivação é simplificar o caminho da aprendizagem de quem começa a aprender desde que nasce. Simplificar o que aprende, onde aprende e onde aplica. Aprender a ser em vez de ter.

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